O vento ecoava pela floresta, cochichando aos ouvidos da natureza, brincando com pega com as folhas, fazendo as árvores dançarem. Em suma, dando vida àquele lugar tão sombrio e seco como estava. O Outono matava tudo, mas quem diz que a morte não pode ser bela? Ao seu lado um veado seco, drenado até a última gota. Um vampiro, com certeza. Vampiros são seres adoráveis, pensa.
As crianças olhavam amedrontadas para todos os lados da floresta, enquanto a professora seguia em frente, sorridente e esperançosa. Aquela era sua turma mais problemática, e Eleonore achava que se os levasse ao encontro de Gaia, tudo ficaria bem. Caminhava imponente rumo à clareira da Lua, no centro da reserva. Tinha certeza que lá conseguiria contato com algo sobrenatural. Não ela, mas as crianças. Desse modo, começariam a levar à sério a adivinhação.
A clareira parecia totalmente alienada ao outono. Ainda verde e cravejada de flores brancas, era a prova de existência divina naquele lugar. Os olhos azuis de Eleonore se abriram em alegria e rodopiara ao centro do pequeno jardim e lá se estabeleceu, fitando as crianças que ainda estavam chegando da floresta. Todas perplexas, claro. A professora estendeu uma toalha ao chão e chamou as crianças.
Hoje terão uma aula mista: burras de café e bolas de cristal. Sei que estão tão animados quanto eu, então se sentem logo, peguem seus exemplares de Adivinhação para amadores que eu irei distribuir os materiais, disse.
As crianças vieram, fatídicas e sonolentas para sentar sobre a toalha enquanto a professora cantarolava palavras sem sentido, animada e perplexa. Podem começar, deu a deixa.
Já havia passado quase meia hora e nada. Olivia Cameron havia comido novamente as borras de café. Aquela menina tinha problemas, só podia. Enquanto Eleonore limpava a menina que parecia ter se alimentado de fezes, uma grande luz preenchera a clareira e então a professora teve certeza.
Os cabelos platinados de Aimeé Duchamp esvoaçavam sozinhos enquanto a menina segurava uma bola de cristal que se iluminava em um tom mais forte que mil sóis. Seus olhos opacos e boca semi aberta denunciavam seu transe, seu contato com o divino. Os outros alunos choravam de medo. QUAL ERA O PROBLEMA DELES? ELES JÁ TINHAM 16 ANOS.
A francesa Duchamp então inspirou e uma voz gutural tomou seu corpo, falando em línguas que Eleonore nunca tinha ouvido, e que não tinha certeza sobre sua origem. A menina urrava em tons diversos, conversando, pregando, fosse lá o que ela fizesse não era muito bom. O fascínio dos olhos de Eleonore haviam sido tomados pela preocupação. E então a menina desmaiou, e a escuridão voltou a tomar o lugar. O silêncio
Eleonore correu de encontro a menina e segurou-a no colo. Batia em seu rosto para que acordasse, mas Aimeé somente pode dizer: Não estamos sozinhos, e sangue correu de seus olhos.
Ordem da História
sábado, 12 de novembro de 2011
- Author name:
- Andre Giacomeli
- Publish date:
- 10:18
- Categories:
- adivinhação
beleza
eleonore
escuridão
floresta negra
harry potter
magia
vampiro